Lívio Giosa (*)

Podemos considerar que a tentativa de um simples relacionamento se dá através de sinais.

Estes podem ser percebidos por meio do olhar, dos gestos, do contato, da aproximação, da harmonização de ideias, do convívio. Há ainda hoje, a presença da tecnologia. Facilitadora ou inibidora do relacionamento. A “linguagem móvel” advinda da comunicação via equipamento celular, se utiliza de expressões e representações que podem influenciar, condicionar, ativar, confundir ou permitir a maior (a)proximidade das relações. No entanto, pela sua evolução, dependência e rapidez, o uso do instrumento mobile tem adquirido importância ímpar neste processo.

A sociedade passou a identificar, neste modelo, o seu “modus” de vida interrelacional. Principalmente os jovens, fazendo do “instrumento celular” seu ponto central de diálogo com grupos diversos e amigos(as) individualmente.
O uso também de ícones (sinais, emotions, memes, gifs, linguagens sintéticas, expressões reduzidas) fazem a marca desta relação de comunicação livre e coletiva.

No entanto, o ponto fulcral deste processo de comunicação é a velocidade.
As pessoas interagem e “exigem” respostas imediatas, a qualquer tempo e hora.
Enviam, também, mensagens em áudios permitindo outra forma de imediatismo sonoro no contato. Portanto, som e imagem são ativados em qualquer lugar do mundo e para qualquer indivíduo com o seu telemóvel a carregar.
Com isto, criam-se expectativas decorrentes da sua utilização. O tempo de resposta encurta.

As pessoas interagem mais agilmente, o período de diálogo é praticamente imediato (o que caracteriza o uso do equipamento) e o relacionamento on line passa a ter uma referência prioritária neste novo plano de vida das pessoas.
Principalmente, quando uma delas tem intensa admiração pela outra.
Principalmente, quando, presencialmente, uma delas “mexe” internamente com a outra, sem perceber. Principalmente quando, no relacionamento, seja ele pessoal ou via mobile, o que se espera é reciprocidade.

Há um conceito nos estudos de gestão que se remete também e absolutamente à vida pessoal: É o “equity fator” ou o “fator reciprocidade”. David Husseman estudou longamente este tema, confrontando a tese da comunicação empresarial através dos seus “stakeholders” e o modelo de comunicação interpessoal.
E com isto, surge a pergunta: qual o nível de expectativa, nas empresas, que se espera nas relações (biunívocas) entre: empresa e funcionário; líderes/chefes e liderados; empresa e clientes; empresa e fornecedores; empresa e os demais públicos com quem se relaciona

A questão é: há equilíbrio/alinhamento nesta relação? Os níveis de expectativa entre as partes são atingidos? Há superação, equilíbrio ou decepção? Como medir isto nas organizações? - Assim, e em decorrência, podemos aplicar esta mesma percepção do fator reciprocidade entre pessoas. Os comportamentos são postos à prova se não houver uma perfeita harmonização dos níveis de expectativa entre as partes. Na vida empresarial mecanismos, capacitação e procedimentos podem levar a orientar o melhor enquadramento do fator reciprocidade.

Há fases nas relações profissionais e nas relações das empresas com os clientes que estes “sinais” são importantíssimos a serem observados e, muitos deles, garantem os bons resultados nos negócios. No entanto, ainda na vida pessoal, tais recomendações insistem em não se materializar.

Há quem diga que o “universo conspira a favor ou contra” de certas circunstâncias. Há quem diga que um sorriso e um piscar de olhos promovem uma revolução de sentimentos internos. Há quem diga que a vida é um encontro que pode ocorrer em qualquer estação. Há quem diga que o que importa no relacionamento é que as “emoções sobrevivam” por muito tempo.

Há quem diga que o melhor é observar e esperar.

(*) - É Presidente Executivo da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil; Coordenador Geral do Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental; Presidente do CENAM – Centro Nacional de Modernização Empresarial.

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