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Ramiro Rodrigues (*)

Segurança é uma palavra polissêmica.

Daquelas que permitem vários significados e que foram ganhando ainda mais amplitude ao longo da evolução da comunicação humana. A palavra segurança tem origem no latim e busca significar “sem preocupação” ou “sem risco”. Sua etimologia sugere “ocupar-se de si mesmo” (se + cura).

Nós, sapiens, amamos segurança. Segurança em tudo! Segurança física, amorosa, psicológica, policial, financeira, familiar... A segurança é um quesito tão primitivo que Abraham Maslow – autor da famosa teoria da hierarquia das necessidades posicionou- a no segundo degrau de sua pirâmide de requisitos para a auto realização, acima apenas de questões fisiológicas (água, comida, ar...) e antes de questões como amizade, autoestima e, até mesmo, a família. Faz sentido!

O princípio da segurança física nos permitiu viabilizar a manutenção da espécie nos mantendo alertas contra opressores que tivessem a intenção de nós ter como jantar ao longo das eras primordiais. E, até hoje, garante instintivamente que possamos perceber os perigos que sempre cercam nossa existência.

Este princípio da segurança foi agregando contornos mais amplos no decorrer da evolução sempre que o sentimento da propriedade paralelamente crescia. Olhe ao seu redor e contemple o que você mais preza e que interpreta com “seu”. Da família ao emprego, do amor aos bens materiais, tudo – absolutamente tudo o que você entende como seu, você provavelmente deseja manter. E para manter, você busca aplacar estratégias que mantenham está sua percepção de posse. Então entra em ação, a busca da segurança.

Acontece que a segurança é uma utopia da existência. Assim como ilusão do horizonte, a segurança é apenas uma sensação momentânea onde podemos nos confortar por algum período de tempo, mas cientes de que ela não é perene. Se não sofremos mais com a necessidade de nos protegermos de predadores, temos a constante necessidade de nos proteger da cobiça que se encarregou de protagonizar o papel de algoz das propriedades alheias.

Ato contínuo, aqueles que desejam a segurança desenvolveram alternativas e subterfúgios para a luta contra os mal-intencionados. De cadeados à cães de guarda, de títulos de seguros à antivírus, o homem se dispôs a lutar com o que fosse possível para manter o que é seu seguro. No contexto atual, o homem acrescentou as preocupações com a segurança digital onde informações, fotos e senhas parecem estar nos deixando à beira de um colapso neural. E não, sem motivos.

Mas do que um jogo de palavras, nossa vida – história, imagem e bens, estão em um mundo digital acessíveis a todos, seja para o bem ou para o mal. E o nível de sofisticação tecnológica daqueles que buscam caminhos para comprometer o patrimônio alheio cresce exponencialmente. Em contrapartida, isto tem justificado investimentos milionários dos indivíduos ou, ainda mais, as corporações.

Segundo pesquisas, em 2015 os investimentos no Brasil ficaram na ordem de US$ 8 Bi com um crescimento previsto de 30% neste ano, mesmo diante de um cenário de crise econômica. Pela sua natureza, este é uma luta sem fim aparente.
Não é difícil vislumbrar que os esforços em proteger tudo aquilo que queremos como seguro tenham, em oposição, o mesmo empenho daqueles que os querem comprometer.

Esta peça maniqueísta terá ainda muitos episódios e reviravoltas, mas dificilmente, sairá de sua posição de relevância dentre as prioridades humanas por muitos e muitos anos.

(*) - É Gerente de Serviços na Arcon (https://www.arcon.com.br/).

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