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Kamel Aref Saab (*)

Foi das Lojas Maçônicas que partiu o movimento que culminou na Proclamação da Independência do Brasil.

Se você perguntar a qualquer criança em idade escolar, ou mesmo para grande parte da população adulta, o que Dom Pedro I proferiu às margens do Rio Ipiranga no dia 7 de setembro de 1822, quase todas responderão sem titubear: “Independência ou morte!”. Por mais que esteja tão fixada no imaginário da nossa população, a célebre frase proferida na forma de brado retumbante carrega em si um contexto histórico enorme, muito maior do que suas três palavras e 20 letras.

Em um tempo como o de hoje, repleto de facilidades e estruturas políticas e sociais bem estabelecidas, entender a potência desse grito por independência exige grande esforço, quase uma abstração. Quando marcharam juntos contra as tropas portuguesas naquele 7 de setembro, aqueles homens estavam realmente dispostos a entregar suas vidas pelo seu ideal de independência. Não à toa deixaram sua marca na história.

Menos conhecido do que a célebre frase de Dom Pedro I, entretanto, é o envolvimento central de uma Ordem tricentenária nesse processo histórico: a Maçonaria. Mesmo que envolta em mistérios e teorias da conspiração, a participação da Ordem no processo de independência não é segredo. Foi das Lojas Maçônicas que partiu o movimento de maçons brasileiros, liderados principalmente por Gonçalves Ledo e José Bonifácio de Andrade e Silva, que culminou na Proclamação da Independência do Brasil.

Além da data 7 de setembro, a Maçonaria também esteve presente em outros momentos fundamentais da história do Brasil, como na Proclamação da República, na Abolição da Escravatura, na redemocratização do País e em outros eventos marcantes, sempre como protagonista na luta pelo progresso e evolução da nossa pátria. Nos dias atuais, ela luta pela mudança do cenário de crise política e econômica do Brasil, junto com outras organizações da sociedade civil.

Os ideais permanecem iguais para os maçons, mesmo dois séculos depois do grito às margens do Ipiranga. A Maçonaria já disseminada pelos quatro cantos do país tem, só em São Paulo, mais de 25 mil membros filiados ao GOSP (Grande Oriente de São Paulo), e participa de debates e fóruns públicos e privados, ações de um país que ainda tem muito para plantar e colher.

Diferentemente do que se especula, a Maçonaria não é secreta, sequer é uma seita. Não há rituais ocultistas e, suas ações nas atividades públicas, incluindo os vínculos com o Governador do Estado de São Paulo e o prefeito da maior cidade do Brasil, não visam dominar o país ou o planeta em um delírio de nova ordem mundial. A Maçonaria consiste em um grupo de pessoas engajadas em trabalhar pelo desenvolvimento da humanidade em todas as suas escalas e dimensões: da comunidade à política, passando pelas lideranças empresariais e órgãos de classe.

Os tempos são outros, mas o ímpeto de construir um país melhor ainda é o mesmo. O momento de revoluções armadas e levantes ficou para trás, substituído pela luta diária, composta por atitudes individuais e articulação conjunta para transformar o Brasil por meio de pequenos processos, cientes de que a reestruturação precisa acontecer nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, e nas três esferas: federal, estadual e municipal.

Não teremos um hino, um grito ou uma bandeira da revolução de 2018, mas lutamos para que os próximos meses se tornem um marco de volta à normalidade e início no novo desenvolvimento econômico e social do Brasil. É tempo de Independência.

(*) - É Grão-Mestre Estadual do Grande Oriente de São Paulo, a maior Maçonaria da América Latina, representando mais de 25 mil maçons em todo o estado.

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