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Arnaldo Francisco Cardoso (*)

Já tem alguns séculos a percepção de que o comércio entre as nações pode trazer benefícios mútuos.

E ela decorre, primeiramente, de uma questão objetiva: é impossível produzir com eficiência todos os bens que uma sociedade necessita.
A conclusão, no último dia 19, da rodada de negociações para a criação de um acordo de livre comércio entre Brasil e Chile foi um passo importante na direção de uma maior integração econômica regional e liberalização do comércio exterior do Brasil.

Nas quatro rodadas de negociações, tratou-se além da eliminação de barreiras tarifárias, de medidas sanitárias e fitossanitárias, obstáculos técnicos e burocráticos ao comércio bem como de uma série de áreas que merecerão atenção especial como o comércio eletrônico e os fluxos de investimentos.

Em 2017, o fluxo comercial entre Brasil e Chile atingiu US$ 8,5 bilhões colocando o Chile entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Em 2018, os números já revelam crescimento significativo das transações bilaterais.

Depois de décadas de fechamento comercial no Brasil com resultados de atraso tecnológico e falta de competitividade da nossa indústria, as três décadas recentes têm sido desafiadoras ao exigir o emprego da capacidade dos produtores e dos governos na busca da justa medida entre a defesa dos interesses nacionais e os princípios do livre comércio.

A inserção madura na dinâmica da competição internacional, com concepção estratégica e informada visão de mundo, tem se mostrado o melhor caminho para a prosperidade das nações. Recaídas protecionistas suscitadas por momentos de crise econômica se revelam no médio e longo prazo equivocadas e ineficazes diante dos reais desafios que a economia global impõe às nações.


Além do empenho dos setores produtivos da economia nacional e de boas políticas públicas para o comércio exterior, as federações, associações setoriais, câmaras de comércio e universidades têm papéis importantes a desempenhar.

As federações e associações setoriais são importantes atores para a organização e representação empresarial, apoiando também os processos de modernização afinados com demandas internacionais como os princípios de sustentabilidade.

As câmaras de comércio complementam esforços importantes para a identificação e prospecção de mercados, criando pontes entre culturas. E, por fim, o papel das universidades.

É tarefa inadiável o aprimoramento da qualificação da mão de obra brasileira especializada em comércio internacional, que além da capacitação para a resolução de problemas técnicos promova nos estudantes as competências para a prospecção de mercados e para as negociações internacionais, informadas das diferenças culturais e das oportunidades de complementaridade econômica.

É só pela sinergia entre essas forças que o Brasil poderá alcançar o seu tão desejado desenvolvimento econômico e social e contribuir, renovando sua tradição de nação pacífica, com a paz entre as nações.

(*) - É professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, atua nas áreas de Comércio Internacional e Inteligência de Negócios.

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