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ONG oferece assessoria a empreendedores no Brasil

Para empreender, não basta ter uma ideia ou habilidade, é preciso conhecimento e persistência para sobreviver à competitividade do mercado. Às vezes, o que falta é um "empurrãozinho" para o negócio decolar

Ong oferece temproario

Foto: Divulgação/Aventura de Construir

"Aventura de Construir" tem foco na zona oeste de São Paulo.

Fernando Otto/ANSA

A "Associação Aventura de Construir" nasceu para cumprir essa missão, focada em microempreendimentos da periferia de São Paulo, com oferta de crédito, capacitações e assessorias individuais, em um trabalho que já atinge as regiões Norte e Nordeste do país.

"A associação nasceu do desejo de uma família italiana, de Milão, que mantém a Fondazione Umano Progresso. Eles conheceram o trabalho da Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo (ATST) e identificaram uma concentração de microempreendedores na zona oeste da cidade que era duas vezes maior que a média do Brasil e decidiu destinar um capital para apoiar uma fase adicional do desenvolvimento", diz a coordenadora-geral e presidente da instituição, Silvia Caironi. A ATST é um movimento ligado à Igreja Católica que ajuda trabalhadores rurais e urbanos a obterem legalmente terras para construir a própria casa, por meio de negociações coletivas e convênios.

A aproximação entre as entidades e a decisão de criar a ONG ocorreu em 2011 e, já no ano seguinte, eles foram a campo para "reconhecer o terreno". A pesquisa revelou que a renda média dos trabalhadores da região era de R$ 2 mil, sendo que 50% dos empreendimentos não estavam formalizados e 43% tinham lucro abaixo do esperado. Além disso, 55% dos empreendedores não tinham terminado o ensino médio e 25% não sabiam informar lucro ou renda mensal de sua empresa. A falta de acesso ao sistema bancário era outro entrave: somente 16% deles já tinham conseguido empréstimos.

Para mudar essa realidade, a "Aventura de Construir" se propôs a oferecer acesso ao microcrédito, com fundos provenientes da Fondazione Umano Progresso, do Banco do Povo Paulista e da "start up" Firgun, mas percebeu que somente o dinheiro não era suficiente. "Existe uma riqueza nesses bairros, o ponto é ajudá-los a descobrir como explorá-la", diz Silvia Caironi, explicando que foi preciso "entender a realidade de cada um e levar uma oferta de formação e acompanhamento que eles não tinham anteriormente", além de promover a formação dos jovens da região, com palestras e capacitações sobre temas como o uso do Microsoft Excel e das redes sociais, áreas não muito familiares aos empreendedores mais velhos.

Desta forma, a instituição também promove o engajamento dos adolescentes em iniciativas empreendedoras. O trabalho em conjunto com a ATST tem o objetivo de levar infraestrutura para as regiões atendidas com serviços como assessoria de arquitetos, água, telefone, escola, posto de saúde e transporte, proporcionando desenvolvimento territorial. Os ramos de comércio, beleza e materiais de construção são os mais atendidos.

Assessorias
Os empreendedores chegam à associação por causa do "boca a boca" ou das reuniões da ATST e, segundo a responsável pelo setor administrativo da ONG, Matilde Silva, muitas vezes não têm objetivos claros. "Eu pergunto: por que você precisa desse dinheiro? Normalmente eles querem comprar mercadorias ou fazer reformas. Donas de salão de beleza costumam pedir crédito para fazer salas de depilação", conta.

"Tentamos entender fatores críticos e soluções que, com menor esforço, podem dar retorno para o empreendedor", explica Adriano Gaved, engenheiro italiano com experiência em administração de empresas, que presta consultoria em nome da instituição. Ele conta que o fator humano também faz parte da assessoria.

"Problemas de família, pessoais e de auto-estima também afetam os empreendimentos. Hoje mesmo fiz uma assessoria por telefone em que por um terço do tempo tive de convencer a empreendedora de que ela tinha tudo para dar certo", relata. "A metodologia foi desenvolvida de acordo com a realidade destas pessoas. Não damos plano de negócio, porque essas pessoas não têm nível educacional para entender o que é um plano de negócio ou um plano de metas. Entramos em todos os aspectos, financeiro, contábeis, divulgação do trabalho, marketing, organização da produção e funcionários", explica Silvia Caironi.

"Tudo isso é feito de forma a envolver e conscientizar empreendedor: você chega e já vê tudo o que precisa em cinco minutos. É preciso uma 'pedagogia' sobre como passar o conteúdo para eles. Definir prioridades, não só no aspecto técnico, mas no educacional, além de metas e prazos junto com empreendedor" acrescenta. A abordagem humanizada realizada "in loco" diferencia a "Aventura de Construir" de outras iniciativas de apoio ao empreendedor, como o Sebrae. "É que nem ser atendido por um médico em um hospital particular e ser atendido pelo SUS", diz Álvaro Alves Soares, empreendedor do setor de construção civil, comparando o trabalho das duas instituições.

"É muito superficial [o atendimento no Sebrae], a gente chega lá e rapidinho tem que ir embora. Com a 'Aventura', a gente é amigo, conversa, dá risada junto", conta. Soares já obteve R$ 7,5 mil em microcrédito e planeja dar entrada em um segundo empréstimo, para expandir seu negócio na região de Pirituba, que tem dois funcionários. O crédito que ele obteve foi concedido para compra de mercadorias. Por isso, o Banco do Povo Paulista exige a apresentação das notas fiscais de compra, sob pena de execução imediata da dívida. "Um dia eu estava perdido com um monte de notas e pensei: Senhor, manda alguém para me ajudar! E aí veio a 'Aventura de Construir' e anotou todos os fiados. Descobri que tinha R$ 16 mil", lembra Soares.

A assessoria presencial é apontada pela coordenadora-geral da ONG como fator central para o sucesso. "Faz uma diferença total. Para entender o contexto social do bairro, da família e do empreendimento. É muito difícil separar os aspectos pessoal e profissional", afirma Silvia Caironi. Até 2017, 396 assessorias foram realizadas e 241 pessoas atendidas. A ONG também realizou 40 capacitações que atenderam a 722 pessoas. O trabalho se divide em conhecer o negócio, identificando as características pessoais, financeiras e de marketing do empreendimento; prestar consultoria, sugerindo melhorias físicas e boas práticas de administração e avaliação posterior do crescimento, levando em conta aspectos como lucro, número de funcionários e aumento de receita.

Além do acompanhamento individual, a ONG oferece capacitações sobre temas variados como renegociação de dívidas, visão empresarial, foco e inovação, realizadas por profissionais do mundo empresarial, como Fillippo Cavaleri, gerente do "Le Pain Quotidien" e Mario Ursch, presidente da Alpargatas.

"Por volta de 70% da nossa atuação é na zona oeste de São Paulo [principalmente nos bairros de Anhanguera, Perus e Pirituba], mas tem muitas pessoas de outros lugares que participam das capacitações e outras que vêm ao ponto de atendimento na Lapa", explica Silvia Caironi. "O alcance da ATST é de toda a Grande São Paulo. Além disso, temos as capacitações na Lapa e assessorias por telefone e online que atingem locais fora de São Paulo, no Norte e Nordeste", acrescenta. A equipe de consultoria é multidisciplinar e conta com engenheiros, empresários, administradores, profissionais de contabilidade, comunicação, entre outros.

Microcrédito

Atualmente, a "Aventura de Construir" trabalha em parceria com outras duas fontes para o microcrédito, que são o Banco do Povo Paulista, instituição que oferece empréstimos com juros entre 0,3% e 0,5% ao mês e segue a metodologia desenvolvida pelo bengalês Muhammad Yumus, conhecido como "banqueiro dos pobres".
Yumus venceu o prêmio Nobel da Paz de 2006 com seu banco, o Grameen, que oferece crédito a pessoas de baixa renda de Bangladesh, no sudeste asiático. A instituição já ofereceu US$ 5,7 bilhões em empréstimos para camponeses e agricultores sem terra locais, criando um modelo que já foi exportado para 40 países. A entidade atualmente tem 6,5 milhões de clientes, sendo que 96% são mulheres.
Outra parceira da ONG é a Firgun, startup de microcrédito por crowdfunding (vaquinha virtual) para microempreendedores. A proposta da plataforma é apresentar novos negócios a investidores pela internet. As pessoas ou empresas que acreditarem no projeto podem fazer aportes a partir de 25 reais. Após a efetivação do empréstimo e o prazo estabelecido para o pagamento, o "microinvestidor" recebe de volta o valor pago e pode até ter rendimentos, de acordo com o desempenho do negócio escolhido.
A análise de crédito é feita pela startup após uma avaliação do potencial do empreendimento, que não é condicionada a consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Tal característica permite que pessoas com restrições tenham acesso aos empréstimos. É o caso de cerca de 25% dos assessorados pela "Aventura de Construir", sendo que outros 35% se declaram endividados. O valor intermediário das doações pela plataforma é de R$ 400 reais, para negócios que pedem linhas de crédito de até R$ 10 mil.
"Não é uma relação e dependência, é uma relação de melhora contínua", explica Silvia Caironi, que se admira com o comprometimento dos empreendedores. "Durante as assessorias, definimos metas e, quando voltamos, vemos fichas com elas penduradas na parede", destaca.
Segundo pesquisa feita em 2017, com apoio da Universidade Católica de Milão, do Kellogg Institute da Universidade de Notre Dame e da consultora Anna Peliano, 65% dos empreendedores atendidos pela "Aventura de Construir" se formalizaram, frente a um resultado de 60% entre os não atendidos pela ONG; 32% têm funcionários, enquanto 20% dos demais empreendedores conseguiram fazer contratações; a receita mensal média alcançada pelos assessorados foi de R$ 9,3 mil, diante de R$ 4,1 mil dos não-impactados (ANSA).

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