Entendeu? ... Ou quer que eu desenhe? 

                                                                                                                                                     J. B. Oliveira

 

Basta que a pessoa faça cara de “como é que é mesmo? ” para que a outra sapeque essa perguntinha marota!

 

É fato inegável que uma explicação com ilustração fica bem mais fácil de ser assimilada. Não é sem razão que dizem os orientais que “uma figura vale mais do que mil palavras”. É também indiscutível que se tivermos três opções diferentes de um mesmo livro, uma só com texto, outra com texto e gráficos e uma terceira com ilustrações, preferiremos a última.

 

Tenho dito, nos cursos e palestras de Oratória Moderna, que a ilustração – gráfica ou de palavras, como historietas, parábolas, fábulas e figuras alegóricas assemelhadas – funciona como janelas em um edifício. Um cômodo sem elas é pesado, sombrio. As janelas, por sua vez, dão-lhe iluminação e ventilação, tornando-o leve e agradável. Alerto, entretanto, para que o uso seja adequado e limitado: um prédio só com janelas nada tem de prático...

 

Nos dias atuais, sempre que nos deslocamos para lugares desconhecidos ou pouco conhecidos, usamos o Waze para ir apontando-nos o caminho, com indicações para seguir em frente, virar à direita ou à esquerda, dando ainda, por código de cores, orientações quanto à condições de maior ou menor intensidade de tráfego.

 

Embora, em princípio, todas as pessoas apreciem informações com ilustração, umas gostam mais do que outras, e isso está ligado ao seu Canal Neurolinguístico de Comunicação predominante.

 

A PNL – Programação Neurolinguística, conjunto de técnicas e procedimentos desenvolvido e metodizado por dois pesquisadores – John Grinder e Richard Bandler – da Universidade da Califórnia, nos diz que temos, todos, três canais neurolinguísticos distintos: sinestésico, auditivo e visual, com os quais nos conectamos com o mundo. Normalmente um deles prevalece sobre os demais, sobrepondo-se a eles sem, contudo, neutralizá-los. A característica do Visual é sua facilidade de assimilar e reter o que vê. Ao entrar em uma sala, num relance, grava detalhes, como localização de portas e janelas, tipo de equipamentos e objetos nela contidos, sua disposição, quantidade etc. Basta olhar um cartão de visitas e já identifica logotipo, cores, número do telefone e por aí afora. Usa palavras como “veja bem”; “é claro”; “é evidente” e semelhantes. Para os visuais, uma ilustração é uma bênção!

 

O Auditivo marca-se pela preferência por comunicações faladas. Se lhe derem uma instrução escrita, ele a lê e, em seguida pergunta: “o que é para eu fazer? ” “Ora”, vai ser a resposta, “Isso que você acaba de ler! ”. Aprecia também informações detalhadas, que especifiquem números, quantidades, volumes etc. Sobre um carro, quer saber qual a capacidade do tanque de combustível, o espaço do porta-malas, quantos quilômetros faz por litro de combustível e por aí afora. Suas expressões prediletas são: “ouçam bem”; “ouvi dizer que...”; “você está escutando o que estou dizendo”...

 

Já para o Sinestésico, os sentimentos e sentidos dão a tônica, especialmente o olfato, o paladar e o tato. Ao chegar em casa, sente o cheiro do que se está cozinhando e lá vai pra cozinha, destampar as panelas...  Gosta do calor humano, da proximidade física e do conforto. É daqueles que gostam de falar tocando no interlocutor – coisa que o Visual, por excelência, abomina! Não liga a mínima para a estética, mas valoriza o bem-estar e a tranquilidade. Escolhe para vestir as roupas que lhe dão mais conforto e bem-estar, sem se importar com a combinação das cores, que dificilmente se harmonizam. Usas frases como “Sinto que isso vai dar certo”: “Minha sensação é a melhor possível”; “Isso tem um toque de realidade”; “Não deixe de pegar essa oportunidade” etc.

 

Pelo pouco aqui descrito, deu para concluir que a mulher, é, em princípio, muito mais visual que o homem! Num piscar d’olhos, ela vê, grava e retém e entende TUDO.

 

 

 

E ele?  Entendeu? ... O quer que desenhe?

 

*J. B. Oliveira, consultor de empresas, é advogado, jornalista, professor e escritor.

É membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Academia Cristã de Letras.

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