A profissionalização técnica nas micros e pequenas empresas

Lívio Giosa (*)

A palavra-chave hoje no mundo dos negócios é competitividade. A modernização das empresas enseja a necessidade de se aprimorar cada vez mais seus instrumentos de gestão.

Sabem muito bem os empresários que, num regime de concorrência vence quem for mais competente. A abertura de mercado, a globalização, as mudanças políticas e a estabilidade econômica demonstram um novo Brasil para aqueles que acreditam na retomada do crescimento e na revigoração das nossas instituições.
Os avanços que podem levar nosso país a ser considerado ágil em relação aos lentos (subdesenvolvidos) passam, fundamentalmente, também pelas empresas consideradas ágeis e rápidas, que fazem uma nação orientada e fortalecida no seu desenvolvimento.

A quantidade expressiva de micro e pequenas empresas (MPE’s) no Brasil realça exatamente o seu papel preponderante neste processo. Assim sendo, ter sucesso significa colocar a empresa na rota da modernização operacional, tecnológica e dos seus valores humanos. Uma das grandes preocupações das micro e pequenas empresas (MPE’s) é quanto ao seu quadro funcional. Como adaptá-lo a estas mudanças? Como obter vantagem competitiva em relação ao salário que as grandes empresas praticam?

Infelizmente, o nosso país não teve uma preocupação em desenvolver a importância da carreira técnica para a formação de seus profissionais. Isto fez com que não se prestigiassem o ensino médio técnico como formação dos adolescentes e a própria função de tecnólogo em nível de 3º grau. A Faculdade passou a ser a meta de todos, sem que tivessem noção da realidade profissional e das necessidades do mercado.

Em São Paulo, temos um cenário que reflete esse contexto: escolas técnicas de 2º grau muitas vezes desvinculadas da realidade mercadológica, com pouco investimento em recursos e no desenvolvimento do seu corpo docente; as faculdades de tecnologia, seguindo o mesmo passo, procuram o seu espaço, até para reconhecimento da categoria de seus profissionais formados.

No entanto, a nova base nacional curricular educacional brasileira pode começar a dar novos rumos a este modelo. Com ênfase claro ao ensino técnico, podemos ter, a médio e longo prazo, uma nova geração de profissionais e empreendedores preparados para a nova plataforma de desenvolvimento prevista para o nosso país. Não há dúvidas de que a integração entre as escolas técnicas, as faculdades de Tecnologia e as micro e pequenas empresas (MPE’s) significará um enorme avanço.

Ganharão as empresas, ganharão as escolas e, principalmente, ganharão os alunos-profissionais. Com salários menos onerosos e com conhecimentos suficientes para atender às necessidades operacionais, as MPE’s poderão ter, também, vantagens competitivas excelentes em relação às médias e grandes empresas. Estas vantagens estão relacionadas à ação técnica efetiva, em que estes profissionais colocariam verdadeiramente “a mão na massa” (pois é disto que as micro e pequenas empresas precisam), com seus salários mais condizentes com o mercado de trabalho.

Missão fundamental teriam as entidades (sindicatos patronais, associações, etc.) no sentido de viabilizar convênios e acordos para pesquisas com as Escolas Técnicas e Faculdades de Tecnologia, ampliando e destacando ainda mais o potencial do relacionamento e parcerias entre si.

No momento em que o talento humano é fundamental para o crescimento das organizações e a formação técnica essencial para se garantir emprego e colocação nas empresas, o enlace entre as micro e pequenas empresas e as Instituições Técnicas de Ensino em todos os níveis caracteriza-se como prioridade para a capacitação e aprimoramento da mão-de-obra das empresas que querem encontrar o caminho do sucesso.

O futuro do trabalho, com a perspectiva de mudanças efetivas nas profissões, pode ter neste novo contexto educacional brasileiro, o seu momento de equilíbrio e enquadramento como nação preparada para enfrentar os desafios deste milênio.

(*) - É presidente executivo da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil; coordenador ceral do IRES – Instituto de Responsabilidade Socioambiental; e Presidente do CENAM – Centro Nacional de Modernização Empresarial (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.).

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