Assédio Moral, prática reforçada pelo medo

Já no 3º milênio, caminhando a passos largos para a Era de Aquarius, e ainda somos condescendentes com abusos e agressões psicológicas, entre elas o assédio moral no trabalho

Como no bullying, praticado por crianças e adolescentes nas escolas, no assédio moral (ou mobbing, em inglês) também encontramos condutas agressivas e atos tirânicos.

Muito se diverge sobre o assunto, pois o mobbing pode ocorrer entre diferentes níveis (alguns assediadores utilizam a superioridade hierárquica para constranger colaboradores, outros assediam seus pares e há grupos de funcionários que assediam seu superior hierárquico). Além disso, acontece de forma explícita, como gestos, apelidos maldosos, injúrias ou agressões (verbais ou escritas), ou tão sutil como silêncios, fofocas e olhares de desprezo ou desconfiança, dificultando sua caracterização.

Concisamente, significa “toda e qualquer conduta abusiva que, por sua intencionalidade, repetição ou sistematização, constrange, humilha, desqualifica ou atenta contra a dignidade ou a integridade psíquica de uma pessoa, tornando insustentável a sua permanência no trabalho”.

Pesquisas recentes demonstram que, entre as pessoas que mais sofrem assédio moral nas empresas, estão as que possuem alguma doença crônica e/ou limitante; as acima de 40 anos (consideradas ultrapassadas em alguns ambientes); as de altos salários (pois podem ser substituídas por trabalhadores com menores salários); as gestantes (por suas limitações temporárias) e os que possuem estabilidade provisória, como os representantes da CIPA, por exemplo.

rubia pompeo

Rubia Pompêo
Sócia-Diretora da WE-Assessoria, é Consultora Organizacional, Psicóloga Clínica e Psicodramatista. O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Vítimas de assédio moral passam a conviver com depressão, palpitações, distúrbios do sono, isolamento social, rebaixamento da autoestima, sentimentos de rejeição, hipertensão, distúrbios digestivos, dores generalizadas, alteração da libido, pensamentos mórbidos e até tentativas de suicídio, configurando um cotidiano altamente desgastante e sofrido, com consequências por vezes mais devastadoras que as agressões físicas.

Felizmente, no Brasil já é passível de ação indenizatória por dano moral, sendo que o os Tribunais Trabalhistas reconhecem o assédio moral quando caracterizado e comprovado por evidências e/ou testemunhas.

Por ser uma agressão social, merece conscientização coletiva e a mesma atenção que as agressões convencionais. É óbvio que a possibilidade de também sofrer humilhações pode calar a indignação de todos que percebem o assédio, que a alta competitividade pode gerar medo de desemprego e inibir reações, instaurando um pacto de tolerância e silêncio no coletivo, mas... faz-se premente a solidariedade com a pessoa do assediado e atenção para o fato de que a percepção do medo só reforça o poder do agressor!

Se você acredita que está sendo vítima de mobbing ou observa agressões morais a colegas, não se cale! Busque orientação jurídica e dê visibilidade ao assunto, sem medo e sem vergonha! Assédio moral é crime e assim deve ser tratado!

 

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