A comunicação no trabalho e as 3 peneiras de Sócrates

O 1º texto que elaboro para a Reencantando Empresas convida você, leitor ou leitora, a uma reflexão sobre a comunicação no ambiente de trabalho. Basicamente eu gostaria de convidá-lo(a) à autoavaliação sobre sua comunicação

Sidnei Batista II temproario

Sidnei Batista

É diretor da Távola do Saber, Facilitador em programas de desenvolvimento humano e organizacional, Coach formado pela Academia de Coaching Integrativo, Palestrante e Professor de Pós Graduação.. Pós-graduado em Energias Renováveis pela USP, com mais de 5 anos em projetos
de engenharia.

Muitas coisas mudaram nos últimos anos, e a comunicação é uma delas. Hoje se fala em comunicação não violenta, comunicação assertiva, comunicação com foco em resultados, entre outras possibilidades. Mas um aspecto da comunicação permanece inalterado: a relação entre emissor e receptor das mensagens.
O ato de comunicar é um ato relacional entre quem emite e quem recebe a mensagem. A relação que surge pode ser humanizada, desumanizada, respeitosa, desrespeitosa, cínica, sincera, amorosa, raivosa, e por aí em diante. Pode ser direta, feita no famoso cara a cara, ou indireta, por incontáveis ferramentas, da carta ao e-mail, do celular aos aplicativos dos smartphones. Mas é e continuará sendo uma forma de relação.
Daí o convite à autoavaliação: como está sua comunicação no ambiente de trabalho? Você é um exemplo de serenidade e cortesia ou um exemplo de agressividade e grosseria? Está exatamente no meio do caminho entre os dois extremos? Ou está mais perto de um deles?
Para ajudar um tantinho, vou contar uma pequena estória. Provavelmente é uma lenda repassada por muitas gerações. Meu objetivo ao contar-lhe é buscar ajudar em sua reflexão e autoavaliação. Ao final da leitura, espero que você, leitor ou leitora, consiga estabelecer padrões de comunicação mais humanos, respeitosos e amorosos no ambiente de trabalho.
Um jovem rapaz, segundo a lenda, procurava Sócrates, o famoso filósofo grego. Tal jovem queria contar-lhe algo que considerava importante sobre uma pessoa que ambos conheciam.
Consta que Sócrates estava lendo um pergaminho. Ao ser abordado pelo rapaz, olhou-o com serenidade e firmeza e perguntou se o que ele desejava contar já tinha passado pelas 3 peneiras.
O jovem não entendeu direito o que Sócrates queria dizer com 3 peneiras e ficou sem resposta. O mestre notou a reação e explicou que a 1ª peneira representava a VERDADE. Se a história sobre a pessoa não fosse um fato comprovado, o melhor a fazer seria esquecer e não contar posto que a 1ª peneira estava vazada.
O rapaz não pareceu se intimidar com a 1ª peneira e insistiu que queria contar. Afinal, a história ainda poderia ser verdadeira. Sócrates continuou firme e destacou que a 2ª peneira era a BONDADE. Mesmo que a história fosse verdade, se não era algo positivo e se ajudaria a destruir alguém, o melhor a fazer seria esquecer e não contar pois a 2ª peneira estava vazada.
O rapaz, embora calado, demonstrava um restinho de incompreensão com as peneiras. Sócrates não perdeu tempo e ressaltou que a 3ª peneira expressava a NECESSIDADE. Ainda que a história fosse verdade e fosse positiva, se não era necessário contar, se contar não agregaria coisa alguma, o melhor a fazer seria esquecer e não contar porque a 3ª peneira estava vazada.
Sócrates concluiu dizendo que se a história sobre a pessoa passasse pelas 3 peneiras, deveria ser contada porque todos seriam beneficiados – ele próprio, o rapaz, a pessoa e a sociedade em geral. Caso contrário, não contar evitaria que o ambiente ficasse envenenado pelas fofocas e discórdias de uma comunicação equivocada.
A lição que retiro das 3 peneiras de Sócrates é muito simples e poderosa – o quanto somos capazes de avaliar o que falamos e escrevemos a partir dos filtros da verdade, da bondade e da necessidade. A comunicação no ambiente de trabalho pode ser muito melhor do que temos visto e vivido recentemente, e 3 singelas peneiras fazem toda diferença.


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